Ofício destacava a importância histórica do voo transatlântico realizado por Charles Lindbergh.
Em maio de 1927, a travessia aérea realizada por Charles Lindbergh, ligando Nova York a Paris, teve ampla repercussão internacional e foi acompanhada com atenção também na cidade de Santos. O feito representou um marco na história da aviação, ao demonstrar a viabilidade de um voo transatlântico sem escalas, após diversas tentativas anteriores que não haviam obtido êxito. A conquista foi reconhecida como resultado de preparo técnico, habilidade e coragem pessoal, sendo considerada motivo de orgulho nacional para os Estados Unidos.
Nesse contexto, a Associação Comercial de Santos encaminhou, em 25 de maio de 1927, um ofício ao cônsul dos Estados Unidos em Santos, Fred D. Fisher, manifestando oficialmente suas congratulações. No documento, a entidade destacou o caráter excepcional da façanha, ressaltando o brilho e a competência do aviador, bem como o impacto do voo sobre a opinião pública, que acompanhara com expectativa e apreensão as tentativas anteriores de atingir o mesmo objetivo.
O texto do ofício evidenciava o papel da Associação Comercial como representante dos interesses e da sensibilidade da comunidade santista diante de acontecimentos de relevância mundial. Ao dirigir-se ao cônsul, a instituição reafirmava os laços diplomáticos e comerciais entre Santos e os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que reconheceu a importância simbólica do feito para o país representado pelo diplomata.
Registrado em linguagem formal e protocolar, o documento constitui hoje uma fonte histórica que permite compreender como eventos internacionais eram assimilados e valorizados no âmbito local. Ele demonstra que, mesmo distante dos grandes centros decisórios, Santos acompanhava atentamente os avanços tecnológicos e científicos de seu tempo, integrando-os à sua memória institucional e à narrativa de sua própria modernidade.
O voo de Lindenbergh
Em maio de 1927, a aviação mundial viveu um de seus momentos mais decisivos com a realização do primeiro voo transatlântico sem escalas feito por um único piloto. Charles Augustus Lindbergh, então com apenas 25 anos, partiu de Nova York, no dia 20 de maio, a bordo do monoplano Spirit of St. Louis e, após cerca de 33 horas e meia de voo contínuo, pousou em Paris, atravessando sozinho o Oceano Atlântico e transformando em realidade um desafio que, até então, parecia reservado ao campo da temeridade. O feito ocorreu após sucessivas tentativas fracassadas de outros aviadores, algumas delas marcadas por acidentes fatais, o que tornava a conquista ainda mais significativa aos olhos do público e da imprensa internacional. Lindbergh voou sem rádio, sem paraquedas e com equipamentos mínimos, confiando essencialmente em sua habilidade, em cálculos de navegação e na resistência física e mental necessária para enfrentar a solidão, o cansaço extremo e as incertezas do trajeto. A chegada a Paris foi recebida com enorme comoção popular, consolidando o aviador como símbolo de coragem, inovação e progresso técnico. O voo de 1927 representou um marco na história da aviação civil, abrindo novas perspectivas para o transporte aéreo de longa distância e encurtando simbolicamente as distâncias entre continentes. O impacto do acontecimento foi imediato e global, repercutindo em cidades portuárias, centros comerciais e instituições que viam naquele gesto uma afirmação do avanço tecnológico e da capacidade humana de superar limites até então considerados intransponíveis.