A visita do príncipe Harald, da Noruega à Associação Comercial de Santos

O PRINCIPE HARALD VISITA ESPAÇOS DE SANTOS ACOMPANHADO DE SUA COMITIVA E DE MEMBROS DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SANTOS 

Em 5 de março de 1964, Santos recebeu o herdeiro da Coroa da Noruega (ele se tornou rei em 1991) em uma agenda marcada por diplomacia, comércio internacional e pelo registro solene de sua passagem pela principal entidade representativa do empresariado santista.

No dia 5 de março de 1964, Santos recebeu a visita oficial do príncipe Harald da Noruega, então herdeiro do trono norueguês, que estava de passagem pelo Brasil. Sua agenda incluiu compromissos diplomáticos, visitas técnicas e encontros com autoridades locais, mas teve como um dos pontos centrais a recepção promovida pela Associação Comercial de Santos. A presença do príncipe, que vinha acompanhado por representantes do corpo diplomático da Noruega e por empresários ligados às relações comerciais entre os dois países, conferiu à ocasião um caráter representativo, destacando a importância de Santos como um ponto estratégico para a relação do Brasil com os mercados nórdicos europeus.

A recepção da ACS ocorreu inicialmente durante um almoço oficial realizado das dependência do Parque Balneário Hotel, reunindo autoridades civis, consulares, dirigentes portuários e representantes de entidades econômicas. Coube ao então presidente da Associação, Renato Freitas Levy, saudar o visitante em nome da classe comercial santista, destacando os laços históricos de amizade entre Brasil e Noruega e o papel do Porto de Santos como principal porta de entrada e saída das trocas comerciais entre os dois países, especialmente no que se referia à importação de produtos noruegueses e à exportação do café brasileiro.

O Livro de Ouro da Associação Comercial de Santos

Um dos momentos simbólicos da visita foi o registro da passagem do príncipe Harald pela Associação Comercial de Santos no Livro de Ouro da entidade. Ao deixar sua assinatura no Livro de Ouro, o príncipe norueguês reconheceu o papel da Associação Comercial como interlocutora privilegiada nas relações econômicas entre o Brasil e a Noruega, especialmente em um período em que o comércio marítimo e a navegação mercante ocupavam posição central na economia global.

De príncipe herdeiro a Rei da Noruega

À época da visita, Harald exercia a condição de príncipe herdeiro, representando seu pai, o rei Olav V, nos compromissos de representação internacional da monarquia norueguesa. Décadas mais tarde, em 1991, com o falecimento de Olav V, Harald ascendeu ao trono, tornando-se Rei da Noruega, condição que mantém até os dias atuais. Esse dado confere à visita de 5 de março de 1964 um valor histórico adicional, pois Santos e, de modo particular, a Associação Comercial de Santos, figuram entre os espaços institucionais que receberam oficialmente aquele que se tornaria chefe de Estado de uma das mais tradicionais monarquias europeias.

Desta forma, a passagem de Harald por Santos permanece registrada na memória documental da Associação Comercial de Santos, como testemunho de um encontro que uniu diplomacia, comércio e história, reafirmando o papel da cidade e de sua principal entidade comercial no cenário das relações internacionais do século XX.

O PRINCIPE HARALD É RECEPCIONADO PELA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SANTOS NOS BELOS SALÕES DO PARQUE BALNEÁRIO HOTEL

Minibiografia de Harald V da Noruega

Harald V, nascido em 21 de fevereiro de 1937, em Skaugum, na comuna de Asker, é Rei da Noruega desde 1991, tendo sucedido a seu pai, o rei Olavo V, integrando a Casa de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo, dinastia reinante no país desde o início do século XX. Foi o primeiro príncipe herdeiro norueguês a nascer em solo nacional desde o reinado de Olavo IV, em 1340, fato que lhe conferiu especial simbolismo na história da monarquia norueguesa contemporânea.

Filho do então príncipe herdeiro Olavo e da princesa consorte Marta, neta do rei Oscar II da Suécia, Harald teve duas irmãs mais velhas, as princesas Ragnhild e Astrid, sendo batizado em 31 de março de 1937 na Capela Real do Palácio de Oslo. Ainda criança, viveu os efeitos diretos da Segunda Guerra Mundial, quando, após a invasão nazista da Noruega em abril de 1940, foi forçado ao exílio com a mãe e as irmãs, inicialmente na Suécia e, posteriormente, nos Estados Unidos, onde residiu em Washington até 1945, enquanto seu pai e seu avô, o rei Haakon VII, permaneceram ligados ao governo norueguês no exílio em Londres.

De volta à Noruega ao fim da guerra, Harald seguiu formação escolar em instituições públicas e privadas do país, concluindo o ensino secundário na Escola da Catedral de Oslo em 1955, ingressando na Universidade de Oslo e, em seguida, na Academia Militar Norueguesa, pela qual se graduou em 1959, complementando seus estudos em história, economia e ciência política no Balliol College, da Universidade de Oxford, entre 1960 e 1962.

Desde jovem, destacou-se também no esporte, especialmente na vela, representando a Noruega em competições internacionais e em três edições dos Jogos Olímpicos, em Tóquio (1964), Cidade do México (1968) e Munique (1972), acumulando vitórias e premiações em importantes regatas europeias e internacionais. Em 1957, com a morte de seu avô, tornou-se príncipe herdeiro e passou a exercer funções de Estado ainda antes da ascensão ao trono, incluindo períodos de regência em substituição a seu pai.

Casou-se em 29 de agosto de 1968 com Sonja Haraldsen, união que marcou a história da monarquia norueguesa por se tratar de uma plebeia, decisão que envolveu amplo debate político e institucional, e da qual nasceram dois filhos, a princesa Märtha Louise e o príncipe Haakon Magnus, atual herdeiro do trono. Em 1991, com o falecimento de Olavo V, Harald ascendeu ao trono como Rei da Noruega, função que exerce até os dias atuais, sendo o chefe formal da Igreja da Noruega e das Forças Armadas, além de desempenhar papel central na representação internacional do país.

Durante seu reinado, realizou inúmeras viagens oficiais, manteve forte presença institucional no território norueguês e recebeu diversas distinções, incluindo a tradicional Holmenkollmedaljen, em 2007, partilhada com a rainha Sônia. Apesar de problemas de saúde enfrentados a partir dos anos 2000, que ocasionalmente exigiram afastamentos temporários e a atuação do príncipe herdeiro como regente, Harald V permaneceu à frente da monarquia, consolidando-se como uma das figuras mais longevas e reconhecidas da realeza europeia contemporânea.

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