Encerramento do Livro de Ouro ocorre junto com inauguração de espaço cultural

Em 22 de dezembro de 1983, durante as comemorações dos 113 anos da Associação Comercial de Santos, foi encerrado o valioso documento iniciado em 1875 com o autógrafo do Imperador D. Pedro II, tendo como última assinatura a do fotógrafo Araquém Alcântara, que, ao longo do final daquela década, consolidaria projeção nacional como um dos mais reconhecidos fotógrafos do Brasil.

Era uma noite de festa na Associação Comercial de Santos, marcada pela inauguração de seu Espaço Cultural, criado com a finalidade de abrigar exposições de obras artísticas de diferentes linguagens e procedências. Para a estreia, a escolha recaiu sobre a fotografia, mais especificamente sobre a obra do fotógrafo santista Araquém Alcântara, então em início de trajetória, mas já demonstrando o olhar atento e rigoroso que, anos mais tarde, o projetaria como um dos mais reconhecidos e respeitados fotógrafos de natureza do Brasil.

Se, por um lado, a noite simbolizava abertura, criação e perspectiva de continuidade, por outro, carregava também o sentido de encerramento. Na mesma solenidade, foi formalmente concluído o primeiro Livro de Ouro da Associação Comercial de Santos, documento histórico cuja página inaugural fora aberta em 30 de agosto de 1875 com o autógrafo do Imperador D. Pedro II. Utilizado ao longo de mais de um século, o livro registrou a passagem de diferentes personalidades e momentos institucionais, tornando-se testemunho material da própria história da entidade. Por suas páginas desfilaram nomes de destaque da vida pública nacional, como Ruy Barbosa, Epitácio Pessoa, Júlio Prestes, Gaspar Dutra e Juscelino Kubitschek, além de diversas outras autoridades nacionais e estrangeiras, embaixadores, ministros e membros da realeza, como o príncipe da Noruega (veja aqui no blog, artigo a respeito).

Dessa forma, naquela noite de 22 de dezembro de 1983, coexistiram dois gestos complementares: a inauguração de um espaço voltado à produção artística contemporânea e o encerramento de um documento histórico iniciado no período imperial. A última assinatura do Livro de Ouro, registrada justamente naquela ocasião, coube ao fotógrafo que inaugurava, ali mesmo, uma trajetória de sucesso, estabelecendo uma conexão significativa entre a preservação da memória institucional e a valorização da criação artística como forma de registro do tempo e da história.

FOTO DE ARAQUÉM ALCÂNTARA NA EXPOSIÇÃO DE 1981

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