Na histórica reunião de 1870, alguns dos maiores nomes da cidade santista se reuniram para fundar a mais influente instituição do litoral de São Paulo, responsável pela mudança de rumos de Santos e de seu porto. Conheça um pouco de alguns deles:
Visconde Nicolau de Vergueiro
Nicolau de Campos Vergueiro foi um dos líderes do movimento que resultou na fundação da Praça do Comércio. Presidiu a Diretoria Provisória e as três primeiras Diretorias da Associação Comercial de Santos. Como vereador e deputado provincial, teve papel fundamental na política local e contribuiu significativamente para instituições como a Santa Casa da Misericórdia, Beneficência Portuguesa, Sociedade Humanitária dos Empregados no Comércio e o Asilo de Órfãos. Seu nome permanece na Galeria dos Benfeitores de Santos, em reconhecimento aos seus serviços prestados à cidade, abrangendo não apenas a área assistencial, mas também a cultural e educacional.
Antônio Ferreira da Silva Júnior
Santista de nascimento, Antônio Ferreira da Silva Júnior foi Vice-Presidente das duas primeiras Diretorias da ACS (1874-75 e 1875-76) e Presidente em diversos períodos entre 1879 e 1884. Recebeu o título de Barão e, mais tarde, Visconde de Embaré. Além de sua atuação na Associação Comercial, teve uma longa trajetória política, ocupando cadeiras na Câmara Municipal e na Assembleia Provincial. Entre suas iniciativas mais notáveis, está a construção de uma escola pública na Rua Dois de Dezembro (atual Rua Dom Pedro I), hoje sede da Caixa Econômica Estadual, e a doação de recursos para a instalação do Externato Júlio Ribeiro, onde lecionou o renomado gramático. Seu legado educacional e assistencial consolidou sua importância na história santista.
Inácio Wallace da Gama Cócrane
Inácio Wallace da Gama Cócrane foi um dos responsáveis pela fundação da Associação Comercial de Santos, integrando a Diretoria Provisória e atuando como Secretário nas duas primeiras Diretorias. Empresário influente, fundou a casa de comissões V. Barbosa & Cia., além de ser engenheiro fiscal da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí e co-proprietário da Tipografia Comercial, que publicava a Revista Comercial, o primeiro jornal santista. Também foi deputado provincial, vereador e presidente da Câmara Municipal. Defensor da causa abolicionista e membro do Partido Conservador, serviu como tenente-coronel da Guarda Nacional e ocupou cargo de destaque na Ordem Terceira do Carmo. Faleceu em São Paulo, em 19 de fevereiro de 1912, e foi homenageado com a nomeação de uma das principais vias públicas do Mercado como Rua Dr. Cócrane.
Antônio Zerrenner
Empresário alemão e grande benfeitor de Santos, Antônio Zerrenner foi sócio da tradicional firma Zerrenner, Büllow & Cia., com sede na Rua 24 de Maio. Sua empresa atuava na navegação marítima e representava a Norddeutscher Lloyd Bremen, além de operar no setor de seguros, exportação e armazenagem de café e consignação de sal. Também explorava trapiches no Porto de Santos. Atuou como Cônsul da Holanda e foi um dos fundadores da Companhia Antarctica Paulista. Seu maior legado é a Fundação Helena e Antônio Zerrenner, criada para garantir assistência social e educacional aos funcionários e dependentes da empresa, consolidando-se como uma das instituições filantrópicas mais importantes do Brasil.
Francis Spencer Hampshire
Empresário e filantropo britânico, Francis Spencer Hampshire foi Diretor da Associação Comercial nos biênios 1883-84 e 1893-94 e sócio da firma F. S. Hampshire & Cia., que operava nas Ruas 25 de Março, Amador Bueno e 15 de Novembro. Representante de companhias de navegação como a Liverpool Brazil & River Plate Mail Steamers e Lamport Holt Line, também atuava no comércio de café e seguros internacionais. Em 1890, fez uma doação significativa à Sociedade Portuguesa de Beneficência em nome da colônia britânica, como forma de retribuição pelo atendimento prestado aos imigrantes durante a epidemia de febre amarela. Foi um dos sete fundadores da ACS que, em 1920, receberam a medalha de ouro do cinquentenário da entidade. Na época, encontrava-se na Inglaterra, sendo representado na cerimônia. Faleceu na cidade de Oxford, em 16 de fevereiro de 1924.
Adam von Büllow
Empresário de destaque, Adam von Büllow foi sócio da firma Zerrenner, Büllow & Cia., que operava na Rua 24 de Maio, nº 2, em Santos. A empresa era um dos pilares do comércio local, atuando na exportação e armazenamento de café, consignação de sal e seguros marítimos e terrestres. Além disso, era agente da Norddeutscher Lloyd Bremen e proprietário de um dos trapiches do Porto de Santos. Büllow foi um dos fundadores da Companhia Antarctica Paulista e representou diversos países como Vice-Cônsul da Dinamarca, Holanda, Suécia, Noruega, Hungria e Áustria. Seu legado empresarial e diplomático marcou a história santista. Faleceu em São Paulo, no dia 21 de maio de 1921.
Camilo de Andrade
Fundador da Associação Comercial de Santos, Camilo de Andrade foi membro da Comissão de Contas da primeira Diretoria (1874-75) e atuou como Diretor do Banco Mercantil de Santos. Posteriormente, assumiu um cargo elevado no Banco da República (atual Banco do Brasil), antes do colapso da instituição. Também foi Inspetor da Alfândega de Santos, nomeado em 5 de agosto de 1884. Durante o surto de varíola em 1872, uniu esforços ao Comendador Vergueiro para instalar uma enfermaria na Beneficência Portuguesa, financiada por ambos, garantindo atendimento aos enfermos sem recursos. Sua atuação humanitária se repetiu nos surtos de febre amarela, consolidando sua imagem de benfeitor. Dedicado à educação, criou cursos noturnos na Sociedade Auxiliadora da Instrução e contribuiu para diversas entidades culturais. Em março de 1883, presidiu a banca examinadora de Português do Externato Azurara, onde lecionavam os professores José de Azurara e Joseph Michelet, na Rua do Rosário, nº 8. Seu compromisso com a sociedade santista transcendeu o comércio, deixando um legado de serviço público e filantropia.
Francisco Emílio de Sá
Nascido em Santos, Francisco Emílio de Sá foi corretor de café, comerciante de sacaria e fundador do Boletim Comercial. Atuou ativamente na política local, sendo vereador e presidente interino da Câmara Municipal, destacando-se na construção do Mercado Municipal Provisório, no Largo dos Gusmões (atual Largo Azevedo Júnior). No dia 10 de novembro de 1882, inaugurou o jardim da Praça do Andrada, e, em 1886, participou da liberação do material importado da Itália destinado ao mausoléu do Conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva, que havia sido embargado na Alfândega enquanto os despojos do Patriarca da Independência ainda estavam na Igreja do Carmo. Atuou como Cônsul do Chile, com sede na Rua Santo Antônio, nº 51, e foi um abolicionista convicto. Também se destacou na educação, sendo responsável pela criação da Escola do Povo, em São Vicente. Seu legado se estendeu para as gerações seguintes: foi pai de Francisco Sá, jornalista e teatrólogo, patrono da Colônia de Férias do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo e avô de Francisco Emílio de Sá, também jornalista e alto funcionário da Câmara Municipal de Santos, além de integrante da equipe de redatores esportivos de A Tribuna. Francisco Emílio de Sá também teve papel fundamental na fundação do Jóquei Clube de Santos, sendo Diretor de Sede da primeira Diretoria do Jóquei Clube em 23 de setembro de 1876, antes da fundação do Jóquei Clube Santista, em 27 de julho de 1919. Faleceu em Santos, no dia 14 de maio de 1899, aos 54 anos.
Francisco Antônio Rosas
Francisco Antônio Rosas foi vereador da Câmara Municipal de Santos, atuando na mesma legislatura que diversos fundadores da Associação Comercial de Santos (ACS), como Francisco Emílio de Sá, João Otávio dos Santos, Antônio Augusto Bittencourt, Antônio Franco de Araújo Viana, João José Teixeira, Francisco de Paula Coelho, Cel. José Proost de Sousa, Joaquim Manuel Alves Lima, Félix Bento Viana e Comendador João Manuel Alfaia Rodrigues. Na época, a Vereança era fortemente composta por empresários e comerciantes, muitos dos quais participaram ativamente da fundação da ACS, consolidando a relação entre a política e o desenvolvimento econômico da cidade.
Gustavo Backheuser
Membro da Diretoria Provisória da ACS entre 1870 e 1874, Gustavo Backheuser também atuou como Diretor da Associação Comercial no biênio 1879-80. Em 1899, estava estabelecido na Praça da República, nºs 28-30, onde mantinha uma casa de importação e consignação com filial na Rua José Bonifácio, nº 39, em São Paulo. Líder influente na colônia alemã em Santos, teve grande impacto no comércio da cidade e deixou uma ilustre descendência.
José Martins dos Santos
Figura influente tanto em Santos quanto em São Vicente, José Martins dos Santos foi vereador da Câmara Municipal e teve participação ativa em iniciativas sociais e assistenciais. Em 1877, financiou a instalação de dois lampiões no adro da Igreja Matriz de São Vicente, contribuindo para a modernização e segurança da área.
Rodolfo Wursten
Empresário e comerciante, Rodolfo Wursten foi titular da firma R. Wursten & Cia. e atuou como Diretor da ACS em diferentes períodos: 1874-75, 1875-76, 1877-78 e 1881-82, demonstrando sua influência no meio empresarial santista.
José Francisco de Morais
Em 20 de março de 1884, José Francisco de Morais publicou no Diário de Santos uma nota informando sua desistência de uma ação por injúria contra Bernardino Clementino Nébias, administrador das oficinas da Revista Comercial e solicitador da Comarca. A ação judicial, iniciada a pedido de seus amigos Camilo de Andrade e Antônio Augusto Bittencourt, foi movida como forma de reparação moral, mas encerrada após decisão favorável do Juiz Municipal. Faleceu em 6 de julho de 1912, sendo homenageado pela Diretoria da ACS, que destacou sua longa trajetória como intermediário do comércio de café em Santos. O então presidente da Associação, Dr. Antônio Teixeira de Assunção Neto, ressaltou que a perda de José Francisco de Morais reduziu ainda mais o já pequeno grupo de sócios fundadores remanescentes, enfatizando sua importância na construção da identidade comercial da cidade.
Luís G. Backheuser
Sócio da firma Backheuser & Leão, Luís G. Backheuser era um importante empresário do setor comercial, operando uma loja e armazém de louças na Rua 25 de Março, nºs 66-68. Filho de Gustavo Backheuser, era casado com D. Ana Joaquina de Freitas Backheuser e residia na Rua do Rosário, nº 96. Faleceu em 23 de abril de 1889.
José Carneiro da Silva Braga
Empresário estabelecido na Rua Santo Antônio, nº 16, onde operava a firma Silva Braga & Cia., especializada no comércio de comissões e consignações.
Foi vereador da Câmara Municipal de Santos em 1869, um ano antes de participar da fundação da ACS. Posteriormente, entre 1873 e 1876, voltou a ocupar uma cadeira na Vereança, reforçando sua presença na política e no desenvolvimento econômico da cidade.
Joaquim Manuel Alves Lima
Empresário e político atuante, Joaquim Manuel Alves Lima foi Vice-Presidente da ACS no biênio 1883-84, durante a presidência do Barão de Embaré. No setor comercial, iniciou sua trajetória com uma firma individual, que mais tarde se tornou Alves Lima & Cia., consolidando-se como uma referência nos negócios locais. Republicano fervoroso, exerceu o mandato de vereador da Câmara Municipal de Santos entre 1883 e 1886, período em que se destacou na defesa de suas ideias e no desenvolvimento do comércio santista.
Gregório Inocêncio de Freitas
Em 1880, durante a administração do Barão de Embaré, Gregório Inocêncio de Freitas assumiu como suplente, conforme previsto no Estatuto da ACS, preenchendo a vaga deixada pelo falecimento do Sr. G. de Pottere.
Walter T. Wright
Walter T. Wright foi membro da Junta Governativa que administrou Santos em 1899, logo após a Proclamação da República, assumindo o governo do município por decisão popular. Atuava como corretor e possuía escritório na Rua Onze de Junho, instalado em uma das dependências do segundo edifício-sede da Associação Comercial de Santos.
Antônio de Freitas Guimarães Júnior
Antônio de Freitas Guimarães Júnior era herdeiro da firma Freitas Guimarães & Cia., onde seu pai atuava como titular. Profundamente integrado à sociedade santista do século XIX, deixou uma distinta descendência e contribuiu para o comércio e desenvolvimento da cidade.
C. N. Budich
Sócio da firma C. Budich, C. N. Budich era proprietário de um dos trapiches do Porto de Santos, localizado na área conhecida como “Capela”. Esse trapiche, junto com outros sete, formava a plataforma marítima de Santos, estendendo-se ao longo da praia. Alguns desses trapiches ainda existiam quando a Companhia Docas de Santos iniciou as obras do cais, marcando uma transição na infraestrutura portuária da cidade.
Luís José Pereira
O Clube XV, fundado por 15 cidadãos, contou também com a participação de 17 outros membros considerados instaladores, entre os quais Luís José Pereira. Sua contribuição ajudou a consolidar o clube como um dos mais importantes da época.
C. P. Nielsen
Reconhecido como um dos banqueiros mais influentes de Santos, C. P. Nielsen foi diretor do Banco do Comércio e Indústria. A sede da instituição estava localizada na Rua 25 de Março, nº 85, atual Rua 15 de Novembro, onde desempenhou um papel central no desenvolvimento financeiro da cidade.
Vitorino José Gomes
Vitorino José Gomes foi diretor da Associação Comercial de Santos durante a última administração do Comendador Nicolau Vergueiro, no biênio 1877-78. Em 1879, seu nome já não constava mais no quadro associativo da ACS.
Ed Pezoldt
Além de ser um dos fundadores da Associação Comercial de Santos, Ed Pezoldt ocupou cargos de direção em diferentes administrações da entidade. Em 1887, era sócio da firma Pezoldt & Haffers Cia., localizada na Rua 25 de Março, nº 8. A empresa atuava fortemente na exportação de mercadorias em geral, com especial destaque para o café, um dos principais produtos da economia santista na época.
Godofredo Augusto Schmidt
Godofredo Augusto Schmidt foi um tradutor juramentado da Alfândega de Santos, além de atuar como comissário e exportador de café. Iniciou sua trajetória comercial com grande sucesso, acumulando fortuna, mas viu sua situação financeira desmoronar com a queda das transações comerciais. Nascido em Hanover, Alemanha, optou por manter a nacionalidade alemã mesmo após sua vinda ao Brasil. Viveu em Petrópolis, onde se casou com D. Josefina Gueit, de nacionalidade francesa. Posteriormente, mudou-se para Cananéia, onde foi diretor de uma colônia, e finalmente se estabeleceu em Santos. Teve 11 filhos e, após a morte de sua esposa, contraiu novo matrimônio. Viveu seus últimos anos em São Paulo, falecendo aos 80 anos. Godofredo Schmidt também residiu em São Vicente, onde era amplamente relacionado, tendo parentes influentes na cidade, como seu sobrinho, Raul Schmidt. Foi avô do renomado escritor e jornalista Afonso Schmidt, consolidando um legado tanto no comércio quanto na cultura brasileira.
Luís José dos Santos Dias
Como Secretário da Mesa, Luís José dos Santos Dias foi responsável por lavrar a ata da primeira Assembleia Geral da Associação Comercial de Santos (ACS), em 17 de setembro de 1874. Em 1890, após a Proclamação da República, a Câmara Municipal de Santos foi transformada em Conselho de Intendência, por ato do Dr. Prudente de Morais, então chefe do Executivo paulista. Foi um dos sete membros nomeados para o Conselho, ao lado de Francisco Emílio de Sá, também fundador da ACS.
José Carneiro Bastos
Além de empresário, José Carneiro Bastos teve uma trajetória política relevante. Entre 7 de janeiro de 1899 e 7 de janeiro de 1902, integrou o Conselho de Intendência, cargo de nomeação direta do Presidente do Estado. Teve atuação marcante em diversas instituições culturais e assistenciais, sendo Tesoureiro da Sociedade Humanitária dos Empregados no Comércio em 1899.
John Ford
John Ford foi Diretor da Associação Comercial de Santos em diversos biênios, incluindo 1891-92, 1895-96 e 1897-98. Era sócio da firma J. Ford & Cia., localizada na Rua 25 de Março, nº 95, que operava no setor de exportação de café e outras mercadorias.
José de Azurem Costa
José de Azurem Costa foi membro da Diretoria Provisória da ACS e ocupou o cargo de Tesoureiro nos biênios 1874-75 e 1875-76. Era sócio da firma Azurem Costa & Cia., com sede na Rua Santo Antônio, nº 17.
Antônio de Freitas Guimarães
Empresário de destaque, Antônio de Freitas Guimarães foi titular da firma Freitas Guimarães & Cia., uma importante casa comissária de café localizada na Rua Santo Antônio, nº 27. Seu nome ficou marcado por sua atuação filantrópica, sendo Presidente da Sociedade Portuguesa de Beneficência em 1868 e ocupando outros cargos na instituição, como Tesoureiro e Sócio Benfeitor. Também teve participação ativa na Sociedade Humanitária dos Empregados no Comércio. Seu sobrinho, Antônio de Freitas Guimarães Sobrinho, deu continuidade ao legado familiar, sendo 1º Secretário da ACS no biênio 1907-1908 e um dos principais articuladores do movimento para a construção da sede social da entidade. Além disso, Antônio Sobrinho foi vereador entre 1911 e 1923 e Presidente da Câmara nos períodos de 1914-17 e 1917-20. Também atuou como Provedor da Santa Casa da Misericórdia. Faleceu em Campinas, no Hospital da Beneficência Portuguesa, em 20 de abril de 1921.
Manuel Franco de Araújo Viana
Empresário do setor cafeeiro, Manuel Franco de Araújo Viana era proprietário de uma casa comissária de café na Rua Santo Antônio, nº 56. Foi Secretário da ACS em 1893 e 1894. Com a Proclamação da República em 1889, foi escolhido pelo povo para compor a Junta Governativa que dirigiu provisoriamente o município de Santos. Em 1892, foi nomeado para a Câmara Municipal para preencher a vaga deixada pelo Dr. João Galeão Carvalhal, tomando posse em 6 de abril e permanecendo no cargo até 1896. Republicano convicto, era conhecido por sua oratória persuasiva e engajamento político, tornando-se um dos nomes de destaque do Partido Republicano.
John Knowles
Sócio da firma Rose & Knowles, John Knowles atuava no comércio de máquinas de beneficiar café. A empresa estava sediada na Rua Marquês de Herval, nº 8 e tinha grande relevância no setor de maquinários para o processamento do café.
José Ricardo Wright
José Ricardo Wright ocupou a Diretoria da ACS por diversos mandatos, incluindo os biênios 1874-75, 1875-76, 1879-80 e 1881-82. Reconhecido como um comerciante influente, passou por dificuldades financeiras e precisou requerer falência devido a negócios mal-sucedidos. Demonstrando integridade, dirigiu-se à ACS e solicitou sua demissão do cargo de Diretor. Em resposta, a entidade expressou seu respeito, destacando que, como comerciante honrado, logo se reabilitaria e voltaria a prestar novos serviços à Associação. Foi também um importante colaborador da Beneficência Portuguesa.
Antônio Franco de Araújo Viana
Membro ativo do setor comercial de Santos, Antônio Franco de Araújo Viana teve uma carreira política de destaque, sendo vereador da Câmara Municipal em 1881. Durante seu mandato, demonstrou inteligência, dedicação e espírito público, consolidando sua posição como um dos nomes de relevância na história política da cidade.
Otto Helm
Otto Helm foi o titular da firma Otto Helm & Cia., sucessora da tradicional Prates & Cia., atuando no setor comercial e de importação.
José Custódio de Oliveira Setúbal
Comerciante e político, José Custódio de Oliveira Setúbal foi membro do Partido Liberal e, em 1876, teve seu nome incluído na chapa eleitoral para Juízes de Paz da Comarca de Santos.
E. Wockerodt
Eleito Diretor da ACS no biênio 1881-82, Wockerodt foi um dos principais nomes do setor de navegação marítima em Santos. Dirigia a firma Wockerodt & Cia., que atuava como agente da Deutsche Dampfschifahrts Gesellschaft Kosmos, uma importante companhia de navegação alemã.
João Nepomuceno Freire
Conhecido como ”João N. Freitas”, foi um dos 94 comerciantes e associados que participaram da Assembleia Geral de 17 de setembro de 1874, onde foi eleita a primeira Diretoria da ACS e declarada a fundação oficial da entidade. Pai do Dr. João Nepomuceno Freire Júnior, que atuou como Promotor Público em 1887 e integrou o Conselho de Intendência entre 1892 e 1896.
Joaquim Luís Pizarro
Joaquim Luís Pizarro foi Coletor das Rendas Provinciais em Santos, cargo que exerceu até 1865, quando foi sucedido por Francisco Martins dos Santos.
Antônio José Viana
Republicano e abolicionista, Antônio José Viana foi um defensor incansável dessas causas, reconhecido por seu intransigente compromisso e destemor. Excelente orador, participou do Conselho de Intendência, que, em 30 de dezembro de 1891, assumiu o governo do município, que até então era administrado por uma Junta Governativa representada pela ACS. Também se destacou no apoio à cultura, sendo um dos principais colaboradores na construção e instalação do Teatro Guarani.
Joaquim da Rocha Leite
Comerciante e político, Joaquim da Rocha Leite foi vereador da Câmara Municipal de Santos entre 1873 e 1876. Casou-se em 3 de abril de 1869 com D. Narcisa Augusta, filha do Comendador Manuel Lourenço da Rocha, um dos fundadores da ACS. Faleceu em 16 de agosto de 1918, deixando um respeitado legado na família Rocha Leite, lembrada por seus valores e contribuições à sociedade santista.
José Antônio Pereira dos Santos
Importante nome da vida comercial, política e social de Santos, José Antônio Pereira dos Santos nasceu no município e exerceu diversos cargos públicos. Foi Coletor-Geral das Rendas da Província e vereador por vários mandatos, nos anos de 1858, 1859, 1861, 1873, 1874, 1875 e 1876. Em 1861, integrou a comissão nomeada pela Câmara Municipal para angariar recursos destinados à construção de um monumento para receber os despojos do Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva. Faleceu em São Paulo, no dia 14 de julho de 1884.
João Antônio Pereira dos Santos
Figura de grande destaque nos meios comerciais, políticos e sociais do século XIX, João Antônio Pereira dos Santos nasceu em Santos, em 1842, e casou-se em 1862 com D. Maria Venâncio da Rocha Pereira. Em 1875, atuava como agente da Companhia Nacional de Navegação a Vapor, que possuía em sua frota navios como Rio Paraná, Rio de Janeiro e Rio Negro, com escritórios na Rua Xavier da Silveira, nºs 33 e 35. Considerado um dos membros fundadores do Clube XV, criado em 12 de junho de 1869, também exerceu o cargo de vereador até sua morte, ocorrida em Petrópolis, em 1886. Sua vaga na Câmara foi ocupada por Belisário Soares Caiubi. Em 16 de agosto de 1885, João Antônio Pereira dos Santos foi premiado pela Loteria Federal com 500:000$000 (Cr$ 500,00). Demonstrando seu espírito filantrópico, doou 10:000$000 (Cr$ 10,00) à Santa Casa da Misericórdia e 2:000$000 (Cr$ 2,00) à Sociedade Auxiliadora da Instrução. Na mesma loteria, Lucas Alves Fortunato foi premiado com 10:000$000 (Cr$ 10,00) como aproximação do prêmio principal.
Antônio Augusto Bittencourt
Além de comerciante, Antônio Augusto Bittencourt era um ativo participante da política local, sendo um dos nomes mais influentes do Partido Liberal. Em 1876, decidiu entrar na disputa eleitoral, ajudando a organizar a primeira chapa municipal do partido, ao lado de Alexandre Martins Rodrigues, João Otávio dos Santos e Antônio Ferreira da Silva Sobrinho. Entre 1877 e 1880, foi vereador da Câmara Municipal de Santos, onde se destacou como um dos mais atuantes parlamentares da época.
José Proost de Sousa
José Proost de Sousa estabeleceu-se como comerciante na Rua José Ricardo, nº 14, onde mantinha um escritório de comissões. Exerceu diversos cargos públicos ao longo de sua vida, incluindo vereador em várias legislaturas (1873-76), membro do Conselho Municipal de Instrução Pública, procurador da Santa Casa de Misericórdia (1887) e provedor da instituição nos anos de 1904 e 1905. Além disso, foi Comandante Superior da Guarda Nacional, Procurador da Irmandade do Senhor dos Passos e tesoureiro da primeira Diretoria da Associação Protetora da Infância Desvalida. Como grande incentivador da cultura, participou da entidade responsável pela construção e instalação do Teatro Guarani. Também atuou como correspondente da Caixa Filial do Banco do Brasil em São Paulo e foi um dos principais nomes do Partido Conservador. Nascido em Santos, em 11 de março de 1842, teve sua memória eternizada ao dar nome a uma das ruas da cidade. Deixou uma respeitada descendência e foi uma figura de destaque nos círculos sociais, políticos e culturais da época.
Alexandre José da Silva
Alexandre José da Silva foi proprietário do prédio onde funcionou o primeiro teatro de Santos, situado no Largo da Coroação (atual Visconde de Mauá), local onde mais tarde funcionou a agência de passageiros da Viação Cometa. Com o passar dos anos, o edifício entrou em estado de deterioração e passou por reformas sob a supervisão do mestre Tomás Antônio de Azevedo, com a devida autorização de Alexandre Antônio da Silva.
Henri Leuba
Eleito Diretor da ACS em 17 de setembro de 1874, Henri Leuba integrou o primeiro corpo administrativo da entidade. No entanto, renunciou ao cargo devido a restrições estatutárias, uma vez que era estrangeiro, conforme determinava o artigo 18 do Estatuto. Henri Leuba era sócio da firma Auguste Leuba & Cia., que operava no comércio de navegação, importação e exportação. A empresa também administrava uma ponte de atracação de navios e era representante da Chargeurs Réunis, com escritórios na Rua Direita (atual Rua 15 de Novembro), nº 60.
João Antônio Teixeira
João Antônio Teixeira foi Diretor da ACS nos biênios 1874-75 e 1875-76 e exerceu o cargo de vereador em 1881. Homem de profunda fé, era membro ativo da Ordem Terceira do Carmo e colaborou com a Beneficência Portuguesa.
Francisco de Paula Coelho
Respeitado comerciante, Francisco de Paula Coelho teve uma trajetória marcante na política local, sendo vereador nos anos de 1869, 1873, 1874, 1875 e 1876. Em 1870, ocupou o cargo de subdelegado de polícia e, posteriormente, participou da primeira Diretoria da ACS, integrando a Comissão de Contas. Teve uma forte atuação na área religiosa, sendo procurador do Padre Bartolomeu Taddei, Diretor-Geral do Apostolado do Sagrado Coração de Jesus. Em 13 de março de 1897, adquiriu, por 12 contos de réis, um terreno na Rua da Constituição, nº 190, pertencente a Manuel Augusto Alfaia Rodrigues e sua esposa, onde foi construído o Santuário do Sagrado Coração de Jesus. O templo, um dos mais frequentados pela comunidade católica santista, foi demolido após a explosão do gasômetro da Cidade de Santos (Serviços de Eletricidade e Gás, hoje Light) em 9 de janeiro de 1967, que comprometeu sua estrutura.
Emil Adamczyk
Emil Adamczyk foi fundador da firma Adamczyk & Cia., uma das principais empresas comerciais de Santos, atuando no comércio de café e sal. Em 1882, mudou-se para a Alemanha, onde passou a exercer as funções de Cônsul Honorário do Brasil na cidade de Wiesbaden. Deixou uma distinta descendência, incluindo Roberto Emílio Alves Adamczyk, seu filho, que foi tradutor juramentado da Alfândega de Santos. Outro descendente notável foi Roberto Adamczyk, que ocupou cargos de alta responsabilidade na firma Epaminondas Aguiar. O Sr. Emílio Alves Adamczyk casou-se com D. Maria Alves Adamczyk, filha do Comendador Manuel Alves Ferreira da Silva, que foi o primeiro Cônsul de Portugal em Santos e Presidente da primeira Diretoria da Sociedade Portuguesa de Beneficência. D. Maria Alves Adamczyk faleceu em 6 de agosto de 1906, e a família Adamczyk residia na Rua General Câmara, nº 324.
Bento Tomaz Viana
Bento Tomaz Viana foi um dos mais respeitados comissários de café de Santos. Sócio da firma Bento Viana & Barros, mantinha seu escritório na Rua 25 de Março, nº 5.
Augusto da Silva Prates
Augusto da Silva Prates foi sócio da firma Prates & Filho, que mais tarde foi sucedida pela Otto Helm & Cia. Em sua trajetória, exerceu cargos importantes, sendo Vice-Presidente da Diretoria da ACS em 1877 e 1878 e membro da Comissão de Contas da primeira Diretoria em 1874. Entre 1877 e 1880, ocupou o cargo de vereador, sendo um dos membros influentes do Partido Libertador. Em 1878, precisou viajar à Europa em busca de tratamento para uma grave condição de saúde.
Carlos Wagner
Carlos Wagner foi um dos membros eleitos para compor a primeira Diretoria da ACS, na histórica Assembleia Geral de 17 de setembro de 1874. No entanto, assim como Henri Leuba, renunciou ao cargo por ser estrangeiro, uma vez que o artigo 18 do Estatuto estabelecia restrições à participação de não brasileiros. Após a revisão da interpretação desse artigo, foi reconduzido ao cargo de Diretor nos biênios de 1875 e 1876, período em que teve atuação ativa na entidade. Além disso, foi um dos integrantes da Diretoria Provisória, responsável por estruturar a Associação Comercial e dar vida constitucional à entidade.
Henrique Pedro de Oliveira
Henrique Pedro de Oliveira foi um dos fundadores do primeiro Jóquei Clube de Santos, instituído em 23 de setembro de 1876. Na diretoria inicial da entidade, exerceu o cargo de Tesoureiro, tendo como presidente Antônio Ferreira da Silva Sobrinho, primo-irmão do Barão de Embaré. Além dessa atuação, trabalhou como Ajudante de Despachante da Alfândega e teve papel importante na criação dos cursos noturnos da Sociedade Auxiliadora da Instrução.
Adolph Trommel
Adolph Trommel foi sócio da firma A. Trommel & Cia., uma das mais tradicionais de Santos, com escritórios estabelecidos inicialmente na Rua Santo Antônio, nº 20, e na Praça dos Andradas, nº 50, além de armazéns na Rua Santo Antônio, nº 46. A empresa atuava no comércio de exportação e importação e representava a Companhia de Seguros Transatlantische Feuerversicherungs-Action-Gesellschaft. Em 22 de dezembro de 1920, Adolph Trommel foi um dos sete sócios fundadores remanescentes da ACS a receber a medalha de ouro comemorativa do Jubileu de Ouro da Associação. Como estava na Alemanha, seu representante Max Weisflog recebeu a honraria em seu nome, sendo informado do reconhecimento por meio de um telegrama enviado pela Diretoria. Ao longo de sua trajetória, Trommel exerceu o cargo de Diretor da ACS nos períodos de 1883-84, 1887-88 e 1881-82.
John Miller
John Miller, um dos sócios fundadores da ACS, estabeleceu-se em 1885 na Rua 25 de Março, nº 46, onde comercializava materiais de construção civil, com destaque para madeiras e telhas francesas.
Joaquim Franco de Lacerda
Joaquim Franco de Lacerda foi sócio de José de Lacerda Guimarães, atuando sob a razão social J.F. de Lacerda & Cia.. Em 30 de junho de 1883, a sociedade foi dissolvida amigavelmente, com a saída de José de Lacerda Guimarães. A partir daí, Joaquim Franco de Lacerda formou uma nova firma em parceria com Antônio de Lacerda Franco, passando a operar no setor de comissões em geral. Seu irmão, Antônio de Lacerda Franco, foi uma figura de grande prestígio político e social, tendo sido Presidente da ACS nos anos de 1887 e 1888. Além disso, Antônio foi membro da Junta Governativa de Santos logo após a Proclamação da República, assumindo papel de liderança na transição política da cidade. Joaquim Franco de Lacerda passou dois anos na Europa e retornou a Santos em 22 de setembro de 1886, quando recebeu uma homenagem solene de amigos e admiradores.
Antônio José da Silva Bastos
Antônio José da Silva Bastos foi um dos membros mais influentes da colônia portuguesa em Santos. Comerciante respeitado, casou-se com D. Maria Plácida da Silva Bastos e foi pai de D. Maria Bárbara Bastos, conhecida como ”D. Sinhara”. Sua filha, D. Sinhara, casou-se em 17 de abril de 1869 com Francisco Américo de Faria, consolidando uma importante ligação entre tradicionais famílias de Santos e São Vicente.
Antônio José da Silva Bastos
Antônio José da Silva Bastos teve um papel fundamental na fundação e instalação do Teatro Guarani em Santos. Figura influente na sociedade, faleceu aos 62 anos, no dia 24 de março de 1879.
Teodoro de Meneses Forjaz
Teodoro de Meneses Forjaz presidiu a primeira Assembleia Geral da Associação Comercial de Santos (ACS), realizada em 17 de setembro de 1874, ocasião em que foi eleita a primeira Diretoria definitiva da entidade. Coube a ele a honra de declarar oficialmente instalada a ACS. Foi também Vereador nos períodos de 1859-1864 e 1873-1876, tendo participação ativa na administração municipal.
J. W. Schmidt
J. W. Schmidt foi titular da firma J. W. Schmidt & Cia., estabelecida na Rua Santo Antônio, nº 40, com atuação no comércio de navegação marítima. A empresa era agente de navios de bandeira alemã, como o Rio e Buenos Aires, que se destacavam na época pela regularidade e frequência nas operações no Porto de Santos.
David Ellis Júnior
David Ellis Júnior foi Diretor da ACS em diferentes períodos: 1879-1880, 1895-1896 e 1897-1898, contribuindo para o desenvolvimento da entidade ao longo de décadas.
Antônio Nicolau de Sá
O Comendador Antônio Nicolau de Sá teve grande atuação na vida comercial e social de Santos. Além de seus empreendimentos, destacou-se por sua contribuição à Santa Casa da Misericórdia e à Beneficência Portuguesa, instituições das quais se tornou Sócio Benemérito.
D. A. Beaver
D. A. Beaver foi um dos comerciantes estrangeiros eleitos para a primeira Diretoria da ACS. No entanto, sua eleição gerou controvérsias devido ao artigo 18 do Estatuto, que levantava dúvidas sobre a participação de sócios não brasileiros. Após uma ampla discussão, a questão foi resolvida e a Diretoria foi composta com D. A. Beaver, eleito com 30 votos, e Carlos Wagner, que recebeu 31 votos. Beaver era sócio da firma Beaver & Lumière, localizada na Travessa Santo Antônio, nº 1, atuando nos setores de exportação, comissões e consignações.
Antônio Freire Henriques
Antônio Freire Henriques nasceu em Santos, em 26 de dezembro de 1826, e tornou-se um alto funcionário do Banco Mauá. Casado com D. Inácia Amália Freire, sua família estava ligada aos Xavier da Silveira, sendo seu cunhado o poeta e tribuno Joaquim Xavier da Silveira. Junto a um grupo de 14 cidadãos, Antônio foi um dos fundadores do Clube XV, instituído em 12 de junho de 1869. A sede do clube, atualmente, está localizada na Avenida Vicente de Carvalho, na esquina da Avenida Washington Luís e Rua Canuto Valdemar Nogueira Ortiz.
João Manuel Alfaia Rodrigues
João Manuel Alfaia Rodrigues era um importante comerciante de Santos, proprietário de uma casa especializada na venda de louças, porcelanas, cristais e outros produtos. Seu negócio, fundado em 1832, operava no atacado e no varejo na Rua 15 de Novembro, nº 2, com uma filial em Campinas. Com a entrada de seu filho, João Manuel Alfaia Rodrigues Júnior, a empresa passou a se chamar Alfaia & Filho, consolidando-se como uma das principais no ramo de importação e comércio da cidade. Em 1855, João Manuel Alfaia Rodrigues foi nomeado Cônsul da Espanha, exercendo suas funções na Rua 25 de Março, nº 112. No ano de 1886, já como decano do corpo consular, recebeu um convite da Diretoria da Associação Comercial para participar das homenagens póstumas ao Conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva (O Moço), falecido em 26 de outubro de 1886, em São Paulo. Como parte das homenagens, ordenou-se que todas as bandeiras dos consulados de Santos fossem hasteadas a meio-mastro. Seu legado continuou com seus filhos, os Comendadores João Manuel Alfaia Rodrigues Júnior e Manuel Augusto Alfaia Rodrigues, que também tiveram grande destaque na vida comercial e política da cidade.
Manuel Lourenço da Rocha
Nascido na cidade do Porto, em 1817, Manuel Lourenço da Rocha foi um dos grandes impulsionadores do desenvolvimento social e assistencial de Santos. Inicialmente estabelecido no ramo do comércio na Rua Meridional, nº 24 (atual Visconde do Rio Branco), casou-se com D. Elisa Carolina Pereira e tornou-se sogro de Joaquim da Rocha Leite, outro fundador da Associação Comercial de Santos (ACS). Foi um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de Beneficência, instituição que presidiu em diferentes ocasiões. Durante sua gestão, empenhou-se na construção do primeiro hospital da Beneficência, localizado no bairro Paquetá. Como presidente da entidade, assinou a escritura de doação do terreno onde foi erguido o hospital, localizado na região conhecida como “Bexiguentos”, doado por Antônio Ferreira da Silva e sua esposa, pais do Barão e depois Visconde de Embaré. Quando a pedra fundamental do hospital foi lançada, ele ocupava a presidência do Conselho da instituição. Seu empenho lhe rendeu homenagens, incluindo o título de Sócio Benemérito e a inauguração de seu retrato a óleo, celebrada em uma cerimônia concorrida. Apesar de sua dedicação à cidade, Manuel Lourenço da Rocha sofreu um colapso comercial, sendo alvo de ingratidão de algumas pessoas que não compreenderam a complexidade do ocorrido. Faleceu em 30 de agosto de 1886, vítima de uma grave enfermidade.
João Manuel Alfaia Rodrigues Júnior
Desde jovem, João Manuel Alfaia Rodrigues Júnior esteve envolvido com os negócios da família, tornando-se sócio da firma comercial de seu pai. Como comerciante, assinou o Livro de Honra, tornando-se um dos fundadores da ACS. Figura de prestígio na sociedade santista, atuou em diversas áreas, incluindo política, cultura e religião. Foi Vereador por várias legislaturas e chegou a ocupar a Presidência da Câmara Municipal de Santos. Dedicou-se ativamente à preservação da memória histórica, sendo fundamental para a construção do monumento a Bartolomeu de Gusmão. Posteriormente, empenhou-se na trasladação das cinzas do inventor para Santos, sua terra natal, realizando uma viagem à Espanha para concretizar esse objetivo. Além de sua atuação política e cultural, João Manuel Alfaia Rodrigues Júnior foi Cônsul da Argentina e recebeu diversas comendas e títulos honoríficos internacionais. Em 1920, como um dos sete fundadores remanescentes da ACS, recebeu a medalha comemorativa do Jubileu de Ouro da entidade, sendo responsável pelo discurso de agradecimento em nome dos demais homenageados. Seu nome é lembrado na cidade, dando nome a uma rua no bairro Macuco.
Manuel José Martins Patusca
Manuel José Martins Patusca iniciou sua trajetória comercial com um depósito de sal na Praça do Andrada, nº 13. Posteriormente, expandiu seus negócios com a firma Patusca & Filho, instalada na mesma praça, no nº 28. Teve um papel significativo na área social e filantrópica, sendo Mordomo e Procurador-Geral da Santa Casa da Misericórdia e Diretor da Sociedade Portuguesa de Beneficência. Seu trabalho em ambas as instituições foi reconhecido com diplomas honoríficos. Nascido em Portugal, dedicou-se ao desenvolvimento de Santos, onde seus descendentes prosperaram. Seu filho, Sizino Patusca, teve destaque na cultura local, sendo um dos editores do Almanaque Santista de 1890, ao lado de Alfredo Pinto e Benedito Guimarães. A tradição da família Patusca também se destacou no esporte. Seu neto, Araken Patusca, tornou-se um dos grandes nomes do futebol santista, paulista e brasileiro. Além dele, outros dois netos, Ari e Araré Patusca, também tiveram trajetórias no futebol. Manuel José Martins Patusca foi também avô de D. Isménia da Silveira Pinto de Oliveira, casada com Ricardo Pinto de Oliveira, personalidade de grande influência nos círculos sociais, religiosos, esportivos e assistenciais da cidade.
João Otávio dos Santos
João Otávio dos Santos iniciou sua carreira como guarda-livros, passando a atuar no ramo de comissões em geral, com escritório na Rua Santo Antônio, nº 39. Na vida pública, foi Provedor da Santa Casa de Santos entre 1875 e 1878 e exerceu diversos mandatos como vereador, sendo Presidente da Câmara Municipal em mais de uma ocasião. Sua grande contribuição para Santos foi a fundação do Instituto Dona Escolástica Rosa, homenagem à sua mãe. Após seu falecimento, seu único testamenteiro e amigo, Comendador Júlio Conceição, assumiu a responsabilidade de concluir a obra, confiando a administração do Instituto à Santa Casa da Misericórdia, conforme desejo expresso por João Otávio. Nascido em 8 de março de 1830, faleceu em 9 de julho de 1900. Suas cinzas estão guardadas em uma urna especial, localizada no pedestal da estátua erguida em sua homenagem, a qual se encontra nas dependências do Instituto Dona Escolástica Rosa, perpetuando sua memória na cidade.
Manuel Pereira da Rocha Soares
Manuel Pereira da Rocha Soares foi Secretário da Diretoria da ACS no biênio 1877-78 e atuava como titular da firma Rocha Soares & Cia., localizada na Rua Santo Antônio, nº 65. Como capitalista, possuía diversas propriedades, incluindo edifícios nas ruas 24 de Maio, nºs 2-4, e Comércio, nºs 141-151. Natural de Portugal, do Bispado do Porto, casou-se em Santos, no dia 15 de julho de 1865, com D. Amélia Carolina Vieira Bueno. Em 1887, presidiu a A Previdência Paulista, a primeira companhia de seguros terrestres e marítimos brasileira instalada em Santos, em uma cerimônia realizada na sede da Associação Comercial. Teve papel relevante na Sociedade Portuguesa de Beneficência, onde foi Secretário em 1866 e Presidente nos anos de 1882 e 1886. Em reconhecimento aos seus serviços, recebeu, naquele ano, o título de Sócio Benemérito. Em 1920, por ocasião do cinquentenário da ACS, foi um dos sete sócios fundadores remanescentes homenageados com a medalha de ouro comemorativa, em uma cerimônia presidida pelo Dr. A. S. Azevedo Júnior. O Comendador Rocha Soares faleceu em São Paulo, no dia 1º de maio de 1924.
João Alberto Casimiro da Costa
Atuou no comércio de exportação de café e, no ano financeiro de 1885-86, embarcou 5.909 sacas de café pelo Porto de Santos. Mais tarde, tornou-se um dos dirigentes da C. Costa & Cia., empresa com escritórios na Rua 15 de Novembro, nº 109, no antigo solar onde morou José Bonifácio de Andrada e Silva, que posteriormente serviu ao Banco do Comércio e Indústria de São Paulo. Os armazéns da empresa estavam localizados no Largo Azevedo Júnior. Por volta de 1918-1919, a firma passou a operar sob a razão social C. Costa Fontes & Cia., com a entrada de Sérgio Cesário Costa Fontes, irmão do Dr. Silvério Fontes e tio do poeta e médico Dr. José Martins Fontes. A C. Costa Fontes & Cia. tornou-se uma das mais tradicionais e conceituadas importadoras da cidade, funcionando, em seus últimos anos, na Rua General Câmara. João Alberto Casimiro da Costa era irmão de Matias Casimiro Alberto da Costa, patrono do bairro Vila Matias. Foi Diretor da ACS nos períodos de 1881-82 e 1885-86, ocupando o cargo de Secretário. Em 1920, por ocasião do 50º aniversário da Associação, integrou o Grupo dos Sete, um seleto grupo de sócios fundadores remanescentes homenageados pela Diretoria presidida pelo Dr. A. S. Azevedo Júnior.
Antônio Pereira da Costa Guimarães
Esse cidadão português teve um papel fundamental na história de Santos, sendo um dos fundadores da Beneficência Portuguesa e da Associação Comercial de Santos. Foi um dos comerciantes que assinaram o Livro de Honra da ACS, tornando-se um dos instituidores da entidade, que mais tarde alcançaria o centenário. Também esteve entre os 20 cidadãos portugueses que, no dia 21 de agosto de 1859, reuniram-se na residência de José Joaquim de Sousa Airam Martins, localizada na Rua Direita (atual Rua 15 de Novembro, nº 20), para fundar a Sociedade Portuguesa de Beneficência. Atuou no primeiro corpo diretivo da Beneficência Portuguesa, ocupando o cargo de Conselheiro, e prestou serviços inestimáveis à instituição ao longo de diferentes períodos, sendo reconhecido com o título de Benemérito.
Francisco Feliciano da Silva
Destaque na sociedade santista do século XIX, Francisco Feliciano da Silva teve atuação nas áreas política, administrativa e cultural. Em 26 de novembro de 1891, foi nomeado para o Conselho de Intendência Municipal, onde desempenhou suas funções com dedicação e espírito público.
José da Costa Silveira
Empresário do setor cafeeiro, José da Costa Silveira foi sócio da firma Costa Silveira & Cia. e exerceu a Vice-Presidência da Associação Comercial de Santos no biênio 1893-94. Sua empresa estava instalada na Rua 25 de Março, nº 21, em 1887, e, posteriormente, mudou-se para a Rua Santo Antônio, nº 80, em 1895.
Manuel Pinto Soares
Manuel Pinto Soares foi membro da Comissão de Contas da primeira Diretoria da ACS, atuando nos anos 1874 e 1875, ao lado de Camilo de Andrade e Francisco de Paula Coelho. Durante a eleição da Diretoria inaugural, realizada na Assembleia Geral de 17 de setembro de 1874, recebeu dois votos, número insuficiente para ser eleito, mas que registra sua participação ativa na fundação da entidade.
J. J. Barboza Júnior
J. J. Barboza Júnior foi um dos corretores gerais de café em 1885, atuando ao lado de nomes como Walter T. Wright, Benedito da Silva Carmo e H. E. Bidolac. Naquele ano, a ACS convidou os corretores de café para promover, subsidiariamente, o serviço de ensaque do produto. Além disso, em 1885, a Associação Comercial de Santos pleiteou e obteve da Junta Comercial do Distrito um aumento no número de corretores na Praça, ampliando-o para oito profissionais.
Tomás da Rocha Leão
Tomás da Rocha Leão foi Diretor da ACS nos anos de 1879 e 1880, período da primeira Presidência do Barão de Embaré. Além de sua atuação na entidade, prestou valiosa contribuição a instituições assistenciais, como a Sociedade Portuguesa de Beneficência.
Outros 29 fundadores da ACS
Até 1881, a Associação Comercial de Santos era composta apenas por sócios individuais, sem a participação de firmas comerciais, como viria a ocorrer posteriormente. Nesse período, além dos 77 sócios anteriormente mencionados, os seguintes nomes integravam o quadro associativo da ACS:
– Até 1881: Bento Pereira Soares, João Manuel Arruda e Francisco Antônio de Sousa.
– Até 1880: Henrique José Rodrigues, José Lopes dos Santos, F. S. Hamilton e Gabriel Viveiros da Costa.
Somando esses sete nomes aos 77 fundadores anteriormente destacados, chega-se a um total de 84 sócios fundadores.
No Relatório da Diretoria referente ao biênio 1877-78, presidida pelo Comendador Nicolau Vergueiro, constatou-se que 22 sócios considerados fundadores já não constavam mais do quadro associativo. São eles:
– Salvador Batista Nunes Barbosa
– Rudolph Roelfs
– Peres da Silva
– R. Zinnard
– Manuel José Carneiro Bastos
– João Teixeira Coelho
– Joaquim Pereira Morais
– Joaquim Ricardo de Castro
– Jaime Romaguera Hijo
– João Batista de Paiva Baracho
– João Bernardes Pereira
– João Bernardino de Lima
– João Domingues da Costa
– João Paulo Rodrigues
– José Augusto Pereira Sobrinho
– Augusto Monteiro de Freitas
– G. Gropps
– Guilherme Froh
– H. Northon
– Henrique de Paula Freitas
– Ildefonso João de Figueiredo
– Antônio Sebastião Gonçalves
Com a inclusão desses 29 nomes, o número total de Sócios Fundadores da Associação Comercial de Santos alcança 106 pessoas.