Um ponto de chegada após um longo percurso

O Comendador Vergueiro apresenta aos membros da ACS o local que abrigaria a entidade em seus primeiros momentos


Desde 1924, há pouco mais de cem anos, a Associação Comercial de Santos encontra-se confortavelmente abrigada em sede própria, situada na esquina das ruas XV de Novembro e Riachuelo, em uma das áreas mais emblemáticas do centro histórico da cidade. A consolidação desse endereço, hoje plenamente associado à presença institucional da entidade foi, entretanto, o ponto de chegada de um processo longo e por vezes difícil, marcado por soluções provisórias, negociações patrimoniais e pela persistência de sucessivas diretorias. No início de sua trajetória, as condições estavam longe da estabilidade que se conhece atualmente.

Nos primeiros anos de funcionamento, a Associação não dispunha de instalações próprias e precisou recorrer à boa vontade de seus dirigentes. A sede inicial funcionou de forma provisória e gratuita em imóvel cedido pelo próprio presidente, o comendador Nicolau Vergueiro, gesto que permitiu o funcionamento regular da nascente Praça do Comércio enquanto se buscavam alternativas mais adequadas. Desde a Diretoria Provisória, que conduziu os destinos da entidade por quase quatro anos, já se manifestava a preocupação em garantir um espaço que oferecesse conforto mínimo e servisse como ponto de reunião dos associados.

Com esse propósito, instituiu-se o Fundo Social, formado por subscrição entre os consócios, que arrecadou a quantia de 80:000$000. Paralelamente, uma comissão foi encarregada de escolher e adquirir terreno apropriado para a construção da futura sede, evidenciando que, mesmo em contexto de recursos limitados, a questão da sede própria era entendida como estratégica para a afirmação institucional da Associação.

Doações, arrendamentos e soluções provisórias

Nesse contexto insere-se a doação feita por D. Ana Zeferina Vieira Carvalhais, santista de tradicional família, que ofereceu à Associação um terreno de sua propriedade na Rua da Praia, atual Rua Tuiuti, nas proximidades do antigo edifício da Mesa de Rendas ou do Mercado de Peixe, com a condição de que nele fosse erguido o edifício-sede. Apesar da relevância do gesto, a Associação optou por não utilizar o terreno naquele momento, considerando inconveniente iniciar a construção antes da conclusão das obras de melhoramento do Porto, que poderiam alterar as condições topográficas e urbanas da área.

A sala de leitura era o espaço mais concorrido da sede da Rua do Consulado

Enquanto isso, tornou-se necessário garantir um ponto fixo de funcionamento. Novamente, foi o comendador Vergueiro quem acudiu à entidade, cedendo-lhe graciosamente um sobrado de sua propriedade na Rua da Praia. Posteriormente, a Associação transferiu-se para a Rua do Consulado, atual Rua Frei Gaspar, onde passou a funcionar em prédio arrendado, após a realização de obras de adaptação consideradas indispensáveis.

O contrato de arrendamento, vigente entre 1º de fevereiro de 1875 e 1º de fevereiro de 1880, proporcionou aos associados um espaço estável, com dependências mobiliadas, salão de leitura abastecido com jornais nacionais e estrangeiros, quadros de avisos com cotações do café, comunicados da Diretoria e telegramas comerciais e políticos, além do fortalecimento da Biblioteca Social como preocupação permanente da administração.

A conquista da primeira sede própria

Apesar dessas soluções, o ideal da sede definitiva permaneceu como prioridade. Em 1881, na gestão do Barão de Embaré, a Assembleia Geral autorizou a Diretoria a negociar a compra de edifício que julgasse adequado, inclusive o antigo prédio do Banco Mauá & Cia., localizado na Rua do Consulado. A aquisição, contudo, não se concretizou em razão do elevado preço exigido pelos liquidantes da massa falida.

A oportunidade decisiva surgiu em 1883, quando a Associação adquiriu, por 25:000$000, o terreno e as paredes de um prédio incendiado situado na Rua 25 de Março, atual Rua XV de Novembro, esquina com o Largo 11 de Junho, hoje Rua Riachuelo. Tratava-se de um sobrado em ruínas, resultado de um incêndio que havia atingido aquela área central da cidade, mas cuja localização foi considerada estratégica para a instalação da Praça do Comércio.

A reedificação do imóvel ocorreu na gestão do Barão de Embaré e foi viabilizada por meio de empréstimo de 25:000$000 c, tendo o próprio prédio como garantia. O custo total da obra alcançou 65:000$000, dos quais 42:000$000 foram desembolsados pela Associação. Em 1º de setembro de 1884, a entidade instalou-se oficialmente em sua primeira sede própria, encerrando um longo período de improvisações. O domínio definitivo do imóvel foi legalizado em cartório em 19 de setembro de 1891, consolidando a presença institucional da Associação Comercial de Santos no coração da cidade.

A primeira sede só aconteceu em 1884

 

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